A poeira cai e desvanece
E na sombra não é que queira
(Não apetece!)
quase que parece que aparece
o vento de outrora, agora que sinto,
agora que não me minto...
(...)
Me deixei afogar nas águas da dor,
Mergulhei minh'alma em todo seu sangue
E chorando, sofrendo, apodrecendo
me fui perdendo e envolvendo!
Da dor veio o costume!
Do vazio a solidão!
me perdi por entre todos
E tudo apodrecia e amachucava
o coração!
(...)
Da brisa eu fiz vendaval
E nos chuviscos achei temporal.
E neste levar de rodopio
Me levei, me deixei e não encontrei...
Nem meu ser, nem meu querer!
(...)
Chegara pois meu tempo...
Seria (se fosse) a hora e momento!
Eu. Caída, esmorecida.
Me ergo despida, como do nada!
À tona, meus dois caminhos:
O infinito lá bem longe!
O profundo do oceano bem de perto!
Cansada, sem quase nada
Chega a vontade de desistir,
de me afundar, de partir...
Para trás a dor, a solidão!
Ou p'ra sempre deixado meu
Ser, sonhar, viver!
E quase que indo, quase desistindo
Eu me ergo na imensidão
Eu me lembro que não vim em vão!
E escolho meu infinito...
Quanto és incerto...
Quanta tristeza trarás?
Quantas vezes mais tropeçarei,
rastejarei e sofrerei?!
É que eu nem sei!
Mas no teu sofrimento está a lição!
E é da luta que a esperança vem!
Sabendo até que triste me poderei doer!
Eu escolho Viver!
Viver e só viver!
Viver o tudo e o nada!
Viver no sonho, na imensidão!
Viver...
Viver, só por viver!
Sem comentários:
Enviar um comentário