terça-feira, 24 de novembro de 2009

Não estando presa, anda enlaçada. E abraçada no olhar dele ela se enlaça e o abraça.
     - "Enlaça-te a mim!"

Pre( Sentimento)

Sentada, apoiada, já levada... Eu sinto! Eu sinto que pressinto e sei já que até não minto.
Pressentindo que sinto, na incerteza quase que minto. Meus olhos se fecham e vêem até. Meu coração bate e sente o mesmo. Vem chegar a lua cheia neste mar de imensidão.
Há a noite de penumbra e a estrela a iluminar quase que até para me guiar para... (Espera!) Eu não sei ainda!
Vens chegar e não sei se és gente, realidade ou sentimento. Me pressinto que és mistério. Me pressinto que vens da sombra. Atas a ti a penumbra, o inigma, tens sabor a descoberta e desafio é teu aroma.
Na verdade se chegarás eu até nem sei. Sei que sinto e até pressinto, se é que eu sei! Se arrepia meu ser, se encobre tua natureza, e eu esperando, quase adivinhando me vou largando desta terra, e vou sobrevoada de mistério.
No horizonte está meu fado, que eu sinto que o pressinto. É o sentimento deste presságio que me eleva no infinito, até mais alto, até além. E eu me perco. E neste encoberto eu pressinto que sinto e sinto o pressentimento. E neste voo eu sinto na incerta sombra, nas costas do infinito.
Não sei já se sinto ou minto... Sei apenas que pressinto.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ser, Sentir e Agir

Na pequena imensidão do teu olhar está a grandeza do teu ser. Por isso, por tantos os poucos como tu hoje escrevo pelo que és e representas.


Porque os outros se mascaram e tu não, porque os outros fingem e isso não tem perdão. Porque tu és teu ser, porque tu sentes e vives aquele sentir, porque tu és o que sentes e não o que o outro quer ver. E uma vez, ainda que apenas hoje, é preciso que alguém dê a saber que devemos viver e ser e sentir. E não fingir, esconder, mascarando o que o pulsar do coração nos grita a sangue corrente.

É por em teu gesto se encontrar tua emoção, teu sentimento e talvez não, ou até teu coração que hoje paro. Parei, e sem pensar eu imaginei que este pedaço de vida seria muito mais do que é se todos transportassem transparência no seu olhar, sorrir e agir (como tu trazes em ti).

Apenas num murmúrio tu transportas todo teu ser. E em cada traço da tua existência há cor de verdade, há desenho de sinceridade, há um pincelar da tua realidade. Gostava que todos que conhecessem essa fidelidade ao mais profundo sentir, ao mais imenso ser percebessem que todos os corpos que balançam neste mundo deveriam ganhar vida de verdade, vida de ser, vida de sentir, vida de não ter que fingir…Todos balançamos entre o sentir e o agir, entre o que somos e o que é certo ser. Baloiçar será sempre um balanço, mas teu é leve e transparente.

Sabes, no teu silêncio do teu baloiçar todos temos muito a aprender.

Ao Pedro (um Amigo)

sábado, 14 de novembro de 2009

Entre o Sufoco e a Imensidão

A poeira cai e desvanece
E na sombra não é que queira
(Não apetece!)
quase que parece que aparece
o vento de outrora, agora que sinto,
agora que não me minto...

(...)

Me deixei afogar nas águas da dor,
Mergulhei minh'alma em todo seu sangue
E chorando, sofrendo, apodrecendo
me fui perdendo e envolvendo!

Da dor veio o costume!
Do vazio a solidão!
me perdi por entre todos
E tudo apodrecia e amachucava
o coração!

(...)

Da brisa eu fiz vendaval
E nos chuviscos achei temporal.
E neste levar de rodopio
Me levei, me deixei e não encontrei...
Nem meu ser, nem meu querer!

(...)

Chegara pois meu tempo...
Seria (se fosse) a hora e momento!
Eu. Caída, esmorecida.
Me ergo despida, como do nada!
À tona, meus dois caminhos:
O infinito lá bem longe!
O profundo do oceano bem de perto!

Cansada, sem quase nada
Chega a vontade de desistir,
de me afundar, de partir...
Para trás a dor, a solidão!
Ou p'ra sempre deixado meu
Ser, sonhar, viver!

E quase que indo, quase desistindo
Eu me ergo na imensidão
Eu me lembro que não vim em vão!
E escolho meu infinito...

Quanto és incerto...
Quanta tristeza trarás?
Quantas vezes mais tropeçarei,
rastejarei e sofrerei?!
É que eu nem sei!

Mas no teu sofrimento está a lição!
E é da luta que a esperança vem!
Sabendo até que triste me poderei doer!
Eu escolho Viver!

Viver e só viver!
Viver o tudo e o nada!
Viver no sonho, na imensidão!
Viver...
Viver, só por viver!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Noite de Outono


Um raio de sol espreita pela janela... Vem-me acordar! Esfrego meu olhar ofuscado por esta linda, brilhante, suave, forte luz. Por entre a penumbra me vejo onde outrora os sonhos me haviam levado... Fecho os olhos parando... Estou doida deste desejo! Até imagino, parece que vejo!
Regresso ao meu corpo e vejo que ele está a meu lado, nos cobertores enrolado, com cara de anjo... Lindo, brilhante, sereno, só ele, no seu jeito verdadeiro! Ah! Espera! Eu já me lembro...
A noite havia caido, ainda debaixo do céu admirei a lua, enamorada por uma estrela, iluminada, lá no infinito do céu!
Já depois a luz se apagava... Só o luar a espreitar pela janela para nos afoguear. Como era difícil vêr com nitidez o traço seu... E ele me olhava, com olhos laços, que quase que prendem, por entre abraços. Então, relembrei aquele desenho do deu rosto. Aquela tarde em que minha mão havia sua face contornado e agora eu já o via por entre a escuridão, a forma do olhar eu já sentia e os lábios formando aquele sorriso, que eu até poderia pintar e todos os pequenos recantos dos contornos imaginar.
Gostei particularmente daquele teu sussuro. (Sabes, eu também gosto de ti.) Não sei o que me prende, o que me leva a ti! Mas há coisas que não são para saber e outras que não são para explicar... têm sabor a descoberta! Minha cabeça poisou em teu ombro, enquanto me afagavas o cabelo e eu te mimava o rosto e o pescoço... Deixei-me levar naquele doce enrolar e me deixei adormecer.
Acho que ainda sinto teu corpo ao lado do meu, acho que ainda posso sentir o teu coração bater no meu pulso! E sinto tuas mãos enroladas em mim, o teu olhar querendo enlaçar-se no meu e apreendendo prendendo e o teu cheiro...
Acho que hoje foi uma boa noite...