sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Âncorada
Neste porto de lágrimas vim eu ficar, depois de num dia, momento ou segundo me ter perdido na imensidão deste mar.
Aqui me encontro e aqui me ancorei. Sonho viajar num outro mar, parar por um outro lugar, mas por entre ilusões aqui penso que vou sempre estar.
O mar que me rodeia agita-se com peso de meu barco. O horizonte com o nascer do sol, cada vez mais longe parece estar. Minha âncora é pesada e cada vez está mais a mim agarrada e a força de meus lemes cada vez mais parece não bastar.
Mais um pouco e já não me reconheço e cada vez mais eu esqueço o que fui, o que seria, o que eu poderia... Ai como eu queria! E pareço tanto não querer...
Mesmo ancorada ando á deriva nesta viajem sem fim, e estando livre, ando ancorada!
Lume
São os teus olhos
que me enrolam.
É o teu beijo
que prende e aquece.
É o teu toque,
que me enlouquece.
E é este querer ter
meu, que não adormece!
E é a noite que vem cair
E é o corpo que quer fugir.
És tu neste rebolar
E este lume que aparece,
que aquece e logo cresce...
No teu abraço me vou perdendo
Nos teus lábios me quero ir fundindo.
E este desejo que tendo e
não tendo me vai levando e enlouquecendo!
É o beijo, o desejo, o querer,
o afoguear deste queixume...
Que acendendo vem reclamando
um pedaço mais do que é teu,
um pouco mais do que trazes.
E eu fico desejando, esperando,
arrepiando. Tendo e não tendo.
E o lume que vai acendendo
Não mais escurece e enfurecendo
quase que esquece que mais aquece.
No aquecer e acender é
o lume que vem ficar
para uma vez mais se afoguear.
E a sombra deste meu querer
vir mais ele já procurar.
E neste traço que eu tropeço
Vou seguindo e esperando
Pelo teu fogo, que eu enlouqueço
E sussurrando, eu já te peço:
- Dá-me lume!
Anseio
Ancorada em pensamentos, coberta de desejos, eu me escondo em meus anseios e me protejo do que trarás. E eu anseio pelas sensações de te sentir, de te tocar, de te ver e olhar. E eu desejo pelo brilho do sorriso de me olhares, enlaçares-me e sussurrares.
Viajando por todos os sonhos, visitando todos os medos, descobrindo todos os segredos... Aqui fico e aqui escrevo. E nesta ânsia de te prender poderei até ver-me perder... a coragem, a esperança, a minha força e talvez chegue a desilusão. Sobrevoará pois o conforto de te ter querido e buscado e ansiado e de no nunca ter abraçado... Da paixão por algo ter encontrado e de meu olhar teres despertado, eu não esquecerei!
Tudo isto e nada de mim para depois o vendares e me fechares neste teu mundo (que outrora fora meu na plenitude). E também de me teres feito regressar a este mar, que de saudade meus olhos transbordam.
Aqui me escrevo para ti e te deixo meu sentimento que nesta mágoa fica em mim.
Murmúrio
Rodeada de todos, envolta em murmúrios, há um silêncio apático que me leva... que me chama... que reclama por palavras duma outra vida que não a de agora!
Eu sou levada e envolvida neste sonho e vivo-o como se agora o fosse e deixo-me ser feliz nesta ilusão em que nada me vem dizer que não. A força da esperança de o poder ser e viver colidem com esta minha realidade em que não posso ser quem sou... Pois este mundo não é um feito à minha imagem. Meu desejo e pensamento não passam pois de uma miragem...
Agora o murmúrio em que estava vai e vem um silêncio real que me obriga e me chama.
(Des) Querer
Esta espera que enlouquece, que mata, que não esmorece. Este desejo que aquece, que não mais já adormece. E este medo que enfurece, que assusta e permanece.
Só em ti ele desaparece que quase que esquece, pois já aquece o querer de te ter e o sentir de não te perder.
Neste traço que eu tropeço, eu vivo por te querer e não sei só se te virei ter. E ao longe eu vejo o sol, que não sei se nasce ou põe, sei que brilha e até nem se opõe. Perdida já, nem como dantes, eu quero até nem querer ou não quero só para, por uma vez, eu te poder comigo ter.
E o tempo que avança e a noite que cai e eu nem sei sequer para onde vai...
Da vida...
Procurar...
o que deves sempre fazer.
Sonhar...
do que jamais podes esquecer.
Desistir...
o que não pode acontecer
E Amar
É o que precisas para viver!
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